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Luto na poesia: Morre o poeta João Furiba

31 jan 2019

A cultura popular ficou mais pobre nesta quinta-feira (31). Faleceu no Hospital Regional de Cajazeiras, o poeta cantador João Batista Bernardo (João Furiba).

O poeta João Furiba residia atualmente na cidade de Triunfo, onde deverá ocorrer o seu sepultamento.

O poeta

O artista era considerado uma lenda da cantoria nordestina e está incluído entre os maiores repentistas de todos os tempos. Gravou vários discos e publicou o livro Furiba: falando a Verdade (Editora Coqueiro: 2015).

João Furiba começou a cantar aos 12 anos de idade,  na cidade de Taguaritinga do Norte-PE, onde nasceu, com a viola que ganhou do avô. Aos 15, já fazia duetos com canhotinho, Josué da Cruz, José Alves Sobrinho, João da Silveira, entre outros grandes cantadores da época.

No final dos anos 40, foi autor de centenas de cantorias ao lado de Pinto do Monteiro, reconhecido por estudiosos e especialistas como o maior de todos os tempos.

Confira uma das últimas participações de Fubiba com a viola em público, ocasião de uma homenagem a sua pessoa na cidade de Triunfo, ao lado do poeta Edimilson Ferreira.

Alguns versos de João Furita:

Certa vez, cantando com Manuel Laurindo que terminou uma estrofe afirmando sua admiração pelo “o tigre da mão chata”. Furiba sapecou essa imortal sextilha, peça obrigatória no arquivo das obras geniais.

“Eu admiro é a barata
Saber voar e correr,
Chega na lata de açúcar
Bate um baião pra comer,
O que come é muito pouco,
Mas bota o resto a perder.”

Furiba duelava com o famoso e imbatível Lourival Batista que aproveitou da ocasião para criticá-lo em virtude de se fazer acompanhar da esposa e terminou uma estrofe: “Não gosto de homem que anda / Com a mulher por toda rua.”.

Furiba mostra sua genialidade, improvisando essa obra de arte:

“Pra não fazer como a tua
Que fica em casa sozinha,
Entra homem pela sala,
Sai homem pela cozinha,

Eu como sou desconfiado
Pra onde vou, levo a minha.”.

Numa peleja com Pinto do Monteiro, Furiba, deixando de lado a mentira, falou que havia casado mesmo. Pinto não perdeu tempo e improvisou:

“Sei que sua esposa é
Honesta, educada e forte,
Talvez seja a mais bonita
Da Paraíba do Norte,
Eita Furiba feliz,
Ô moça pra não ter sorte!”.

Como surgiu a fama de João Mentira? Moacir Laurentino cantou diversas vezes com João Furiba. Nos festivais de Teresina Moacir fazia a plateia delirar com as interrogações de Laurentino e as respostas de João Mentira. Moacir interroga: “Me responda como vai / Na criação de caprinos.”.

Furiba sapecou a resposta:

“Tenho quinhentos meninos
Morando em minha choupana,
Tratando da criação
Com capim de gitirana,
Tem cabra que está parindo
Duas vezes por semana.”.

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