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IROKÔ, O PAI DA FONTE DE GAMELAS

6 set 2017

Nas tradições daomaesas, Irokô é a arvore ponte entre o Orum e o Ayê, e é através dela que os outros Orixás se locomovem entre os dois mundos, e digo “outro”, porque justamente por esse atributo, Irokô também é considerado um Orixà, embora muito raro ter filhos nos Candomblés de nação brasileiros. É lógico que essas informações dizem respeito a uma tradição cultural muito nossa, porém, muito longe do cotidiano do nosso recanto, já que por aqui, a tradição portuguesa cristã é dominante e quase nada nos sobrou das nossas raízes negras, ainda que em meados do século XVIII, tenha havido a presença de inúmeros negros escravos nas terras de Picadas.

Picadas, que nasceu de uma fonte, aos pés de um IROKÔ.

A ocupação territorial do extremo sertão paraibano, sobretudo a porção que hoje faz divisa com o Umarí, Ceará, se deu através da povoação do entorno da FONTE DE GAMELAS, referência geográfica para a demarcação inicial da sesmaria concedida a José Domingos Bezerra, datada de 12 de fevereiro de 1752. (fonte: Wilises Estrela 2015), onde se instalou a primeira fazenda, para a exploração pecuária, já que existia uma fonte d’água perene. Logo em seguida, instalou-se também, vindo do Icó, José Tomas de Aquino, dando origem a Fazenda Picadas, nome que teve o lugar até 1881, quando por outras razões históricas, ganhou o nome de Triunfo (Histórias para outros textos e reflexões).

Esse breve apanhado, teve como objetivo tão somente situar nossa consistência histórica aos pés de um Deus Iorubá (Gameleira), encravado a beira de uma fonte que teve fundamental importância para a ocupação territorial do sertão paraibano, de Triunfo a Pombal, ainda que a sesmaria original, de seis léguas de comprimento, chegasse até o hoje Brejo das Freiras, e tivesse três léguas de largura, mas a fonte de gamelas foi referência para a introdução da pecuária nesses rincões, já que era, além de marco geográfico importante, garantia de abastecimento d’água para tropeiros e condutores de rebanhos.

É lamentável, que ao longo de tantos anos, e de tantos alertas nossos, o poder público não tenha dado a devida atenção para os seus verdadeiros tesouros. Hoje, a fonte de Gamelas agoniza, aos pés de um Irokô doído e de uma história linda, que as Escolas não contam, que os “caçadores” não respeitam, que a ignorância mata.

 

Iroko Issó! Eró!Iroko Kissilé.

Salve Grande Iroko! O Senhor de todas as Árvores!”