RadarPB - Notícias de Triunfo - PB

  • contato@radarpb.com.br
  • (83) 9 9952-1219 / (83) 9 9631-7511

Carlos Cleiton

Carlos Cleiton Evangelista Gonçalves é professor da Educação Básica, licenciado em História pela UFCG e mestrando em Artes pela UFPB. Pesquisa processos de criação em artes num diálogo com o contexto social e cultural do estudante. Escreve sobre cotidiano numa perspectiva das culturas populares, artísticas, históricas e educacionais.

Camisinha para quê?

12 set 2017

Uma polêmica envolvendo a cantora Pabllo Vittar abriu uma discussão que parecia ter sido encerrada já há algum tempo: as finalidades do uso do preservativo durante uma relação sexual.

O assunto veio à tona na internet semana passada após o lançamento do videoclipe “Corpo Sensual”, em que a cantora aparece atuando ao lado de Mateus Carrillo, integrante do grupo brasileiro de música pop, Banda Uó, com cenas de sensualidade em que Pabllo aparece segurando a camisinha distribuída no SUS pelo Ministério da Saúde.

O projeto artístico do clipe inclui uma parceria entre o Ministério da Saúde e a cantora. É a primeira vez em que um ministério da república brasileira promove uma ação diretamente num clipe de música pop. Mas a crítica em torno do vídeo surpreendeu parte da comunidade virtual. Na página do facebook de Pabllo, assim como na página do YouTube onde o clipe está sendo exibido, há muitos questionamentos sobre a real utilidade do preservativo. É possível achar muitos comentários de pessoas dizendo que não sabem para que serve, que não sabem como usar e, o mais grave, que nunca usam em suas relações.

É certo que boa parte da discussão advém de pessoas com pensamento contrário dos que militam em favor dos direitos da comunidade LGBT, dizendo não entenderem como uma transexual que nem Pabllo Vittar precise usar camisinha se não pode engravidar. Temos aí um forte indício de desentendimento em relação às questões de gênero, mas não é isso ao que quero me ater dessa vez. Quero chamar a atenção para as centenas de postagens sobre exageros, desconhecimentos e banalizações sobre o importante uso do preservativo.

Um país em que há quase um milhão de pessoas com HIV e AIDS não poderia levar na brincadeira um assunto tão sério. Levantamentos do Ministério da Saúde afirmam que entre 2006 e 2015 a taxa de infectados com esse vírus quase triplicou entre a fixa etária que vai de 15 a 19 anos, homens e mulheres, héteros e homossexuais.

Na internet quase tudo vira alvo de banalização. O importante nesse caso é verificar que, mesmo em meio a tantas brincadeiras, a desinformação entre os jovens acaba sendo uma grande protagonista. O que nos lembra que as ações sobre o porquê de usar o preservativo precisam ser melhor aplicadas. Tais ações precisam chegar mais na escola, na rua, na internet e, principalmente, em casa

A interação no mundo digital: onde isso vai parar?

5 set 2017

O mundo nunca esteve tão conectado. Não há mais barreiras de espaço e de tempo entre duas pessoas que possuam smartphones. Quase não se vê ao nosso redor alguém que não tenha à mão um aparelho e que não esteja vez por outra dando aquela verificada nas notificações, respondendo às mensagens, ouvindo ou enviando um áudio. Os grupos no aplicativo Whatsapp se proliferaram. Tem o grupo da família, do trabalho, da galera do futebol, da academia, da cerveja, da faculdade. São tantos bons dias, boas noites, correntes e notícias (às vezes falsas e sensacionalistas) jorrando toda hora, todo dia em nossos celulares, que às vezes nem temos tempo de refletir sobre como foi que tudo isso começou e onde é que isso tudo vai parar, se vai parar.

Close up of friends with circle of smart phones.

Essa interação digital em larga escala é recentíssima. Coisa de quatro ou cinco anos. Ainda não se sabe bem onde isso vai parar ou que efeitos trará para a humanidade a médio ou longo prazo. Nunca antes os hábitos cotidianos da população foram tão fortemente modificados em pouco tempo como o costume atual de estarmos segurando um smartphone e dele fazendo uso em todos os ambientes, a qualquer hora do dia ou da noite.

A televisão por exemplo, quando foi inaugurada no Brasil nos anos 50, passou vinte anos para poder atingir 10% dos lares brasileiros. As informações estão no site da ABERT – Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão- que diz ainda que, no final da década de 80, a cobertura televisiva não chegava a 60% das residências, embora ultrapassasse a meta para a década, que era de 50%. Somente no final dos anos 90 foi que a TV apareceu em quase todos os lares brasileiros (93%, segundo a ABERT). Do Oiapoque ao Chuí e até mesmo em algumas isoladas tribos indígenas brasileiras, muito dificilmente não se acharia uma televisão na virada do milênio.

Se demorou cinquenta anos para que a grande maioria das pessoas tivessem acesso às programações televisivas no Brasil por que os smartphones estiveram tão acessíveis para todos em tão pouco tempo? A ANATEL indica que até meados de 2017 foram contabilizadas mais linhas telefônicas ativas do que o número de pessoas vivendo no Brasil.  São mais de 240 milhões de linhas, das quais 168 milhões eram ativadas em smartphones até o final de 2016.  Existem várias razões para isso, que vão desde a facilidade de compra dos aparelhos, cujo valor pode ser parcelado várias vezes, até ao estabelecimento mesmo de uma cultura de necessidade em fazer parte do mundo digital, que inculca a ideia de que aquele que não faz parte desse universo está desatualizado, desinformado, ultrapassado.

Estudos sobre a história da imagem fotográfica estimam que, atualmente, um indivíduo que tenha acesso regular a internet todos os dias tenha mais acesso a informações com imagens numa semana do que um indivíduo que viveu 70 anos na zona urbana de Londres, no século XIX. Se a quantidade de informações em imagens digitais que são produzidas e descartadas todos os dias fossem impressas em papel, a indústria mundial de papel viveria um colapso na obtenção de celulose, a sua matéria-prima, porque não daria conta de disponibilizar papel para imprimir tanta coisa.

O certo é que estamos todos viciados em estar nesse mundo digital. Estamos destinando cada vez mais de nosso tempo a ele. Estamos deixando de ler, de estudar, de sair com os amigos, de visitar um parente, de conversar pessoalmente e até de viajar. Porque tudo está a um toque na tela do smartphone. Onde tudo isso vai parar? É uma boa pergunta, não é? A resposta? Também quero saber…